"O Brasil de La Mancha: Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, Sou Quixote Cavaleiro, Pixote Brasileiro".
Inspirado
em Miguel de Cervantes
Esse
enredo é dedicado ao povo Brasileiro, grande protagonista da nossa
história, que apesar dos monstros gigantes conserva os sonhos da
Mocidade, mantém a esperança de um país melhor, a loucura
pelo Carnaval e a eterna vocação para ser feliz.
Será
mais um sonho impossível?
Voar num limite improvável
Romper o inacessível implacável?
Virar esse mundo, esse jogo?
Como saber se não tentar, lutar pra vencer
e perceber se valeu delirar?
é incabível negar, ousar e sonhar
pois inventar é minha lei, minha questão.
imaginar, seja lá como for,
me fazer invencível, tocar e beijar,
ceder e morrer de paixão
ao ver a estrela-flor, mocidade,
brotar do impossível chão.
Voar num limite improvável
Romper o inacessível implacável?
Virar esse mundo, esse jogo?
Como saber se não tentar, lutar pra vencer
e perceber se valeu delirar?
é incabível negar, ousar e sonhar
pois inventar é minha lei, minha questão.
imaginar, seja lá como for,
me fazer invencível, tocar e beijar,
ceder e morrer de paixão
ao ver a estrela-flor, mocidade,
brotar do impossível chão.
(versão
adaptada da obra de Chico Buarque e Ruy Guerra)
“Mocidade”:
substantivo
feminino singular: Juventude, frescor, qualidade daqueles que se
mantém jovens independentes da idade, sonhadores. Grupo de pessoas
que acreditam em um mesmo sonho, vide GRES MOCIDADE INDEPENDENTE DE
PADRE MIGUEL.
“Mancha”:
substantivo
feminino singular: Mácula, nódoa. Geo: Terra árida, mas fértil da
Comunidade Autônoma da Espanha central: Castilla La Mancha.
“Quixote”:
substantivo
masculino: Diz-se do personagem criado por Miguel de Cervantes
(1547-1616). Indivíduo generoso e ingênuo, que luta contras
injustiças. Louco e sonhador.
“Carnaval”:
substantivo
masculino singular. Festa popular, folia. Período normalmente de
três dias que antecede à quarta-feira de cinzas. Sentido figurado.
Festa capaz de desfazer as manchas da realidade ao transformá-las em
esperança de tempos melhores. Força capaz de resgatar os sonhos de
uma Mocidade Quixotesca.
Prólogo
Se
o mundo é um carnaval onde tudo se mistura, volto à literatura, no
seu infinito poder de transportar tempo e espaço, me junto a
Cervantes porque também sou Miguel, Padre Miguel. Juntos, resgatamos
o mito de Quixote que, no caminhar por entre as terras do Brasil de
La Mancha, a princípio se assusta com tantos fatos. Ele sonha lutar
com gigantes que pela própria natureza não somam, subtraem. E como
compreender é o primeiro passo para transformação, ávido leitor,
o cavaleiro andante relê nossa história até perceber que “A hora
da estrela” há de chegar. Descobre que a Mocidade, eterna fábrica
de sonhos e alegria, é a estrela guia, que sai à rua para defender
o Brasil de toda Mancha. Está na Mocidade toda a esperança de dias
melhores, de tempos mais justos, de seres mais humanos.
Essa
primeira parte faz uma introdução muito bem elaborada, abordando os
aspectos principais do enredo, dando um significado aos fios
condutores do enredo. O Prólogo é uma perfeita entrada pro enredo,
que não é difícil de entender, mas requer um pouco de atenção,
pois podemos nos confundir um pouco. Uma hora pode dar a entender que
o enredo é sobre Dom Quixote, outra hora pode dar a entender a
verdadeira ideia central do enredo, que é uma viajem de Dom Quixote
pelo “Brasil de la Mancha”.
O
Brasil de La Mancha
Ergue-te
do teu sono, Cervantes, do sonho à vida como antes, vem comigo que
também sou Miguel, Padre Miguel, sou eu quem te clama a despertar
teu cavaleiro andarilho, a seguir a estrela em seu brilho e a
empunhar a lança a lutar contra os moinhos deste Brasil de La
Mancha.
Qual
"Abaporu" a devorar imaginações, levanta-te novamente,
Quixote comandante e vem tocar seu rebanho, invisível, errante, de
meninos, Pixotes, fidalgos ninguém e faça deles seu exército verde
esperança, de sonhos de criança que valem ouro, prata, níquel,
vintém. Vem limpar as nódoas deste meu país gigante. Lembre sempre
da ordem da cavalaria, da meta de todo dia: acreditar na justiça,
educação, saúde e fraternidade, no respeito à terceira idade, nos
sonhos da Mocidade.
Viaje,
até onde a memória alcança, que te proteja, o Sancho que também é
Pança, gula ou ganância? Contraponto e balança. Teu companheiro,
fiel escudeiro, rapidamente adquire um jeitinho brasileiro. Não
esqueça do povo e da mazela, negue que os acordos e esquemas são
necessários ao sistema. Lute contra os fatos, os muitos ratos, os
muitos jatos! Lembre que para governar a ilha, não precisas fazer
parte de uma quadrilha.
Ponha
de lado a cavalaria diante de tamanha covardia, busque na literatura,
nas suas mais belas histórias, uma escapatória. Na tentativa de
entender o Brasil de La Mancha, leia de tudo sem exceção: histórias
dos Pampas, das vidas secas, escravidão. Se leitura o dia inteiro,
faz mal ao cavaleiro, não fique atordoado, se entre Ramos e Rosas,
encontrar Machado, mesmo sem muita clareza, não se importe porque és
menino maluquinho e maluco beleza.
Adentre
o reino mestiço, encantado, país inventado, terra que tem palmeiras
mas, pela dor de Chico Mendes, sangram seringueiras. Torne-se o
Macunaíma, caboclo, mito indolente, quase até inconsequente. E como
todo amor é descanso da loucura e a felicidade, uma eterna procura,
busque sua Dulcinéia, nos lábios de mel de Iracema e Paraguaçu,
musa de Caramuru.
Seja
o braço forte que impede o açoite, apague a mancha negra-noite,
ouça as vozes d'áfrica, lança-te ao oceano contra os negreiros
moinhos navegantes e com furor insano, acabe com esse sonho dantesco,
a vergonha da escravidão, “varrei os mares, tufão”.. Seja Zumbi
e devolva a liberdade para a casa grande e a senzala não mais
existir.
Siga
os raios do sol meridiano meu cavaleiro andante, no rastro que
ilumina o pampa distante, no sopro do minuano, que terás o "
tempo e o vento" como esteio, pelos campos à seguir avante, na
proteção do negrinho do pastoreio.
Vai,
meu nobre senhor dos sonhos e andanças, vem que te mostro veredas,
na trilha de sua árdua missão, contraponto das vidas secas no
escaldante sertão. Leve teu espírito guerreiro a juntar-se a
Antônio Conselheiro, entre milhares de fiéis e cangaceiros, na
saga, sacra insurreição.
Vai,
caminhando e cantando, mesmo com páginas infelizes das nossas
histórias, vai nessa ilha, sanatório geral, onde a sua loucura
também é a nossa e que se transforma em uma ofegante epidemia pois
somos todos loucos, loucos por carnaval. Vai, que nessa avenida, a
Mocidade aguerrida, num samba popular, vai passar ...
Há
esperança de que tenebrosas transações serão passadas a limpo,
lavaremos o passado tudo o que é ímpio, ainda que tarde, que não
falhe, não será um sonho impossível e que nossos heróis não
sonharam em vão pois acreditamos no incrível, somos sonhadores
errantes, inspirados em ti, cavaleiro andante, estamos prontos pra
luta contra o gigante, desse Brasil de La Mancha. Somos seu exército
verde, vibrante, da pátria independente, somos Miguel, Padre Miguel,
seus Quixotes, Pixotes, somos alguém com o sonho de uma nação,
sonho de ser campeão.
Adiante,
cavaleiro! Em frente, Rocinante! O Brasil é grande, um mundo
inteiro. Agora eu era herói, leitor, estudante e também juiz,e pela
minha lei, a gente era obrigado a ser feliz.
Adiante,
cavaleiro! o povo é minha estrela guia...
“A
hora da estrela” há de chegar
Sou
Independente, sou raiz também, Cavaleiro Andante da Vila Vintém.
Eis
que durante a leitura da sinopse podemos perceber uma verdadeira
salada de frutas que certamente vai confundir um jurado mais chato. O
enredo não tem uma linearidade que o norteie. É Dom Quixote
cavalgando pelo Brasil junto com outros autores e histórias (será
que é isso mesmo?) buscando varrer a uma história que a princípio
seria “suja”. Posso ter entendido e interpretado mal, seria muito
importante a opinião de outras pessoas, mas a minha interpretação
é essa: uma verdadeira salada de frutas onde se entende pouca coisa.
A intenção até da para perceber, uma verdadeira varredura na
trajetória de Dom Quixote pelo Brasil, mas o que fica confuso, ao
meu ver, é a mistura com Machado de Assis, O Tempo e o Vento,
Negrinho do Pastoreio, Antônio Conselheiro, entre outros
personagens.
Acredito
que mais uma vez a Mocidade e Alexandre Louzada tenham errado a mão.
Vamos aguardar a representação desse enredo na avenida para
podermor emitir uma melhor opinião.

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